Um teto e um futuro para o Brasil

 

Jovens do projeto UTPMP constroem casas em comunidade carente de São Paulo

Felipe Berríos, um sacerdote jesuíta, conduziu há quatorze anos  uma missão que mudaria  a vida  de  milhares de pessoas no Chile e também a  questão habitacional do país. Acompanhado por um grupo de jovens universitários, o sacerdote realizava alguns trabalhos no povoado de Curanilahue, uma  comunidade pobre localizada ao sul do país. Sensibilizados com a situação de miserabilidade da região, o grupo decidiu convidar profissionais e universitários para  construírem 350 casas no povoado. O sucesso foi tanto, que ainda em 1997,  a comitiva fundou a Organização Não Governamental “Um Techo para mi País”, com o objetivo de oferecer soluções a comunidades extremamente pobres. Atualmente, são mais de 380 mil voluntários e 75 mil famílias já beneficiadas nos 19 países latino-americanos em que a ONG está presente, incluindo o Brasil.   

Por aqui, a “Um Teto para o meu Pais” (UTPMP) teve sua primeira experiência  com  o projeto em 2002, no Estado de  Pernambuco, com a construção de 20 casas. Mas foi apenas em novembro de 2006 que o projeto começou a ser realmente implementado, desta vez em São Paulo, onde está presente até hoje. “Neste momento, duas pessoas com muita experiência no projeto chegaram ao país para armar uma equipe de voluntários fortalecida, estabelecer contatos com as primeiras comunidades e parceiras. Esta ação resultou no que o UTPMP é hoje no Brasil: mais de 400 moradias de emergências construídas e mais de 3500 voluntários mobilizados, entre universitários e colaboradores de empresas parceiras”, informa Daniel Pucci, diretor de formação e voluntariado da UTPMP – Brasil.

As moradias emergenciais de que fala Daniel, fazem parte da primeira etapa do plano de ação da UTPMP. Ao identificarem que a comunidade se encaixa no perfil da organização,  após visitas, aplicação de questionário e aprovação das famílias a serem beneficiadas, os voluntários  constroem as casas de mergência  com 18m², feitas de madeira pré-fabricada com duração de cinco anos. Neste período espera-se que a família consiga sair da pobreza extrema e se instalar em moradias adequadas, processo previsto na etapa dehabilitação social.  Nela, são previstas estratégias como planos de educação, microcrédito, saúde e assistência jurídica, que permitem a diminuição da vulnerabilidade que impede que as famílias saiam da situação de pobreza. Para que se sintam parte desta conquista, as famílias colaboram com uma quantia simbólica de $150,00.

A jovem estudante de arquitetura Stephanie Akemi Abe é uma das voluntárias da UTPMP e segundo ela, depois de construir a primeira casa, não tem mais como sair da organização. “Foi uma das experiências mais importantes da minha vida. Fiquei sabendo do projeto na FAU e como estava procurando alguma coisa na área de habitação e voluntariado, achei que seria uma boa oportunidade de conhecer mais sobre o assunto”, conta. Depois de ter ajudado na construção das casas, a voluntária passou a atuar dentro da organização na subárea de contato, setor que planeja os questionários e as primeiras visitas às comunidades atendidas. “A próxima ação da UTPMP é a detecção massiva, que acontece dia 25, 26 e 27 de  setembro. Nós vamos reunir  vários voluntários para aplicar enquetes  na comunidade, a fim de identificar quais são as famílias que mais precisam das casas de emergência”, diz.

A “Um Teto para o meu País” acredita que seja extremamente importante investir no voluntariado jovem para o futuro país. “Nossa organização é criada e gerida por universitários e jovens profissionais. O nosso foco de voluntariado é esse, pois acreditamos que são essas pessoas que no futuro estarão à frente de empresas, órgãos públicos e outras organizações. Assim, temos como objetivo formar os futuros líderes  do país, garantindo que eles conheçam de perto a realidade das pessoas que vivem em situação de extrema pobreza em sua cidade”, justifica Daniel.

Saiba mais em: www.umtetoparameupais.org.br

E-mail para contato: info.brasil@umtetoparameupais.org

Texto: Vinícius Gallon/ Imagem: Daniel Pucci

 



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