II Encontro Curitibano de Relações Internacionais

O II Encontro Curitibano de Relações Internacionais, promovido pela CASLA nos dias 1 e 2 de setembro, propiciou um espaço de discussão sobre as perspectivas e os desafios da área. O evento debateu o ensino das Relações Internacionais bem como as características da atuação brasileira nas negociações internacionais.

O primeiro dia do encontro foi mediado pelo professor da UNB e do Instituto Rio Branco, Amado Luiz Cervo, um dos principais pesquisadores de política externa brasileira. A coordenadora do curso de Relações Internacionais da FACINTER, Karla Gobbo, também participou da mesa.

Cervo discutiu a atuação brasileira no cenário internacional, analisando os diferentes períodos do percurso de inserção do Brasil e também os atores que agem neste processo de relações com outros países.

Foi destacado as estratégias do governo Lula, tais como a participação do país no G20 e a campanha para entrar como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, visando se estabelecer como uma influente potência global. A liderança regional brasileira da América do Sul, também foi apontada como importante para este objetivo de tornar o país influente.

Outra questão desenvolvida pela mesa foi a prática das relações internacionais do Paraná. Gobbo enfatizou o potencial “inquestionável” do estado para a atuação internacional. Entre os fatores que sustentam este atributo , a coordenadora citou as fronteiras com a Argentina e Paraguai e o expressivo número de consulados presentes no estado, entre outros aspectos.

A principal dificuldade levantada por Gobbo para o maior estímulo às negociações internacionais no Paraná é a centralização do Itamaraty, que se mantém insulado, sem um diálogo com os governos estaduais o que impede um desenvolvimento efetivo do campo.

O ensino e o mercado de trabalho e as Relações Internacionais da América Latina

O último dia do evento foi focado nas possiblidades do profissional de relações internacional e também no ensino da área nas universidades brasileiras, além de apresentar um panorama histórico das relações internacionais na América Latina.

Rafael Reis, secretário da Secretaria de Relações Internacionais e Comunicação Social do Parlamento do Mercosul, comentou sobre as oportunidades da carreira na América do Sul e também sobre sua experiência profissional.

As coordenadoras dos cursos de Relações Internacionais Ângela Moreira (UNICURITIBA) Vanessa Tagliari (TUIUTI), Larissa Ramina (UNIBRASIL) e Karla Gobbo (FACINTER) debateram os aspectos característicos dos ensinos da área, destacando o estabelecimento recente dos primeiros cursos do país e as diferentes ênfases dadas nas instituições de ensino superior.

Para encerrar o encontro, o professor do curso de História da UEM (Universidade Estadual de Maringá), Luiz Felipe Viel Moreira delineou o desenvolvimento das relações internacionais da América Latina, a partir de uma perspectiva histórica, indicando as principais fases do relacionamento na região e das tentativas de cooperação internacional. Apesar das histórias individuais vivenciadas pelos países da América Latina, Moreira destacou a existência de processos comuns que possibilitam esta identificação regional.

Texto: Ana Luiza Prendin/ Imagem: Vinicius Gallon



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