Entrevista: reforma econômica em Cuba

Mudanças significativas na economia cubana têm sido destaque nos noticiários deste ano. A permissão para compra e venda de veículos foi uma destas alterações no modelo econômico vigente na ilha. Estas novas propostas que substituem antigos preceitos, no entanto, não são fruto apenas da liderança de Raúl Castro, presidente desde a renúncia de seu irmão Fidel Castro, em 2008. O professor e economista da Universidade de Las Villas, em Santa Clara (Cuba), Jaime Gabriel Garcia Ruiz, comenta na entrevista a seguir que estas transformações estão em andamento desde a de década de 90.
Como surgiu a necessidade de reforma econômica em Cuba?
A reforma em Cuba é resultado da crise que atingiu o país nos anos 90, originada pelo colapso do socialismo soviético, pelo bloqueio econômico norte-americano e também pelo esgotamento do modelo vigente em Cuba nos anos 80. É na década de 90 que inicia-se o processo de reforma estrutural da economia cubana. Passaram-se 20 anos e este projeto ainda está em curso. O socialismo em Cuba ainda está em construção, há medidas que vão ser implementadas , e outras que, daqui há alguns anos, serão descartadas.
Em que se caracteriza esta reforma?
Trata-se de um projeto de atualização do modelo econômico cubano, que busca o fortalecimento e a irreversibilidade do socialismo. Estas modificações devem preservar os princípios que norteiam Cuba, como a prioridade da propriedade socialista e o amparo garantido do Estado ao cidadão.
Quais são alguns pontos de mudança do modelo econômico cubano?
Com relação à distribuição de renda, por exemplo, tem sido discutido um ajuste, para que os trabalhadores recebam um salário mais adequado à atividade desempenhada, prevalecendo o lema “a cada um segundo sua capacidade, a cada capacidade segundo seu trabalho". Outra questão da reforma está relacionada à descentralização do governo, concentrado no poder executivo, com a separação das funções administrativas das funções do Estado. Os governos municipais adquirem mais autonomia, o que proporciona um dinamismo para o desenvolvimento. O próprio corporativismo, antes limitado ao setor agropecuário, passa a ser implantado nos setores de construção e serviço.
Texto e imagem: Ana Luiza Prendin


