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SAMBA - Dudu Nobre volta no tempo para construir maturidade

(13/05/05)


Dudu Nobre volta no tempo para construir maturidade
LUIZ FERNANDO VIANNA
DA SUCURSAL DO RIO

Nas fotos de seu quinto CD, Dudu Nobre aparece na Pedra do Sal, no morro da Conceição, nas proximidades da praça Mauá. São lugares da pré-história do samba, pois nessa região do centro do Rio desembarcavam os negros arrancados da África; mais tarde, os pretos forros vindos da Bahia; e, no início do século 20, concentravam-se os estivadores, de onde saíram muitos dos primeiros sambistas.
Na escolha do cenário parece haver uma tomada de posição: Dudu não quer mais ser apenas o garoto esperto que faz músicas engraçadinhas, repletas de gírias, com o objetivo de atrair uma garotada nova para o samba.
Aos 30 anos, pai de dois filhos, dá um passo atrás no tempo para embasar seu olhar sobre o presente e fazer um futuro mais consistente do que aquele que seus discos anteriores insinuavam.
Em "Festa em Meu Coração", lançado agora, ele grava três clássicos. Em um deles, "Gosto que me Enrosco" (Sinhô), a taxa de surpresa é baixa, já que seu padrinho Zeca Pagodinho gravou "Jura" há pouco, e porque "Posso Até me Apaixonar", sucesso de Zeca composto por Dudu, começa exatamente com o verso "Gosto que me enrosco".
Já "Yaô" (Pixinguinha/Gastão Vianna) é um dos melhores momentos do CD, com o cantor plenamente à vontade no clima de terreiro que remete aos encontros que as tias baianas promoviam em suas casas, na Cidade Nova.
Em "Pintura sem Arte", talvez o mais bonito de todos os maravilhosos sambas de Candeia, Dudu ainda se ressente de alguma imaturidade (vocal e de vida), mas deixa claro que sabe qual é o melhor caminho das pedras.
Nos outros CDs, o cantor gravou um Silas de Oliveira aqui, um Guará acolá, mas a prioridade era mostrar sua própria verve de compositor e sua maneira bem-humorada de cantar. Agora, mais sério sem perder a leveza, ele abre as portas de sua discografia para os mestres da velha guarda, que sempre fizeram sua cabeça.
Mesmo que com novas levadas e temáticas, algumas tradições estão firmemente presentes no disco. O samba de roda, por exemplo, está logo na abertura: três boas parcerias de Dudu com o especialista baiano Roque Ferreira.
O partido-alto, arte da improvisação que o cantor domina bem, aparece já na segunda faixa ("Vem pra Cá pra Sambar", de Dudu, Fred Camacho e André Rocha) e volta muito bem em "Pega Geral", em que a letra de Nei Lopes contempla o estilo jovial do parceiro: "Pretinha, morena e loura fatal/ O moleque pega geral/ Atriz, socialite, et cetera e tal/ O moleque pega geral".
Esse lado "moleque Dudu" também está em "Faz o Pagode Explodir", "Namora Normalmente" e "Pra Parar de Uma Vez É Difícil", faixas que contam com a assinatura de Luizinho SP, parceiro freqüente do cantor.
Mas, indicando uma mudança de rumo, há até romantismo desbragado no repertório: a bonita "Pra Amenizar Teu Coração", parceria com Sombrinha.
Dudu não deixa de incluir uma criação de Arlindo Cruz ("Gasta Aqui! Gasta Lá!"), um de seus grandes mestres, e reverenciar no encerramento ("Pega Eu") um ídolo que já não está mais aqui: Bezerra da Silva.
"Festa em Meu Coração" flerta com o que já aconteceu no samba para sinalizar que muita coisa nova ainda poderá acontecer.

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Festa em Meu Coração

Artista: Dudu Nobre
Gravadora: Sony BMG
Quanto: R$ 30, em média




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