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HELENA KOLODY

(02/03/03)



“Joga a flor na correnteza, longe alguém

desconhecido faz um gesto distraído e colhe a flor

de surpresa”.


Helena Kolody


Helena kolody nasceu em Cruz Machado, Paraná, Brasil no ano de 1912.
Com apenas 15 anos, já em 1928 publicava sua primeira poesia, “A Lágrima”, na revista “O Garoto”.
De lá para cá seu talento tem sido cultuado e reconhecido justamente. Apesar disto, Helena Kolody segue em sua pacata vida citadina, morando em pleno centro de Curitiba, onde buzinas e automóveis tomaram de vez um cenário antes tranquilo, nas imediações do Instituto de Educação do Paraná, onde lecionou por tantos anos.
Professora primária e inspetora de ensino aposentada, Helena só veio a publicar sua obra financiada por um editor após completar os 73 anos. Antes disso tudo ficava por sua conta e risco: exemplo concreto de persistência e dedicação, de amor às letras e à arte.
Descoberta pelos círculos acadêmicos e intelectuais, transformou-se em cult, sendo uma espécie de “madona” do cineasta Sílvio Bach, em sua “Babel de Luz” (1992), documentário que, segundo ele, é “um auto-retrato protagonizado pelo poema de Helena Kolody”.
Também em homenagem a ela foi criado o Concurso de Poesias Helena Kolody, da Secretaria de Estado da Cultura, que ha sete anos vem revelando novos talentos e reafirmando outros tantos.
A arte de Kolody não tem fronteiras. Sensível às belezas da poesia japonesa, ela foi a primeira a publicar um haicai no Paraná.
Em julho de 93, nos 300 anos de Curitiba e 85 anos de imigração japonesa, a comunidade nipo-brasileira de Curitiba outorgou-lhe o nome de Reika, em reconhecimento à sua dedicação e à divulgação e grandiosidade que deu à poesia de origem japonesa.
Reika, substantivo de difícil tradução, é um nome poético ou hincaista, composto de dois ideogramas específicos, que significa, aproximadamente, “perfume de literatura” ou “renomeada fragância de poesia”, ou ainda “aroma da poeta maior”.
Ou seja, algo como um perfume que vai se espalhando pelo ar, cujo cheiro é poesia. Não se refere ao perfume em si, mas ao seu contagio, uma vibração que vai envolvendo as pessoas pelo encanto que a poesia dessa pessoa emite.
Assim é que Helena Kolody ultrapassa as palavras que possam querer falar dela, pois é muito mais que palavras: é luz e encantamento. Azul, como a serenidade, cor que ela mesmo definiu, como a cor de seus poemas: “Minha poesia é serena, mesmo quando ela tem amargura, quando ela tem dor”



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