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Em busca dos tesouros de San Telmo

(25/01/07)


Os grandes achados na mais tradicional feira de antiguidades da capital portenha
Silvia Campos

BUENOS AIRES - Domingo de manhã, a Plaza Dorrego, no tradicional bairro portenho de San Telmo, se transforma num antiquário a céu aberto. Preciosidades como vitrolas e telefones do início do século passado, porcelana italiana e pratarias são expostas nas 270 barraquinhas da Feria de Cosas Viejas y Antigüedades de San Pedro Telmo (www.feriadesantelmo.com), realizada há mais de 30 anos.

O evento, que leva à praça 10 mil visitantes por domingo, se tornou uma atração turística tão tradicional quanto os shows de tango e ajudou a fazer da capital portenha um pólo para comerciantes e colecionadores de antiguidades. O médico catarinense Semy Braga, de 58 anos, é freqüentador assíduo. Uma vez por ano, ele vai a Buenos Aires e não dispensa uma visita à feira. “Gosto muito daqui. Depois da França, é o lugar onde mais encontro objetos em estilo art nouveau. Compro pelo menos cinco peças quando venho.”

Opção é o que não falta. Há barracas especializadas, que vendem pratas, quadros ou jóias, e outras que têm um pouquinho de tudo. No Posto 77, por exemplo, Eduardo Linares, um senhor magro e bem-humorado, vende vitrolas antigas há 25 anos. Os aparelhos, que custam cerca de mil pesos cada (R$ 695), foram fabricados entre 1890 e 1920, na Itália e na França. “Vendo uma ou duas por mês.” Longe de serem apenas decorativas, as vitrolas funcionam perfeitamente, fato que o vendedor faz questão de provar toda vez que alguém pergunta, colocando um tango para tocar, em alto e bom som.

Um vinil para testar nas vitrolas de Linares pode ser encontrado no Posto 175, barraca comandada pela simpática Teresa Tejeda. Lá estão em exposição 200 bolachões - muitos dos anos 1950 e 1960. Carlos Gardel, cantando Mi Buenos Aires Querido, sai por 30 pesos (R$ 21). Já uma cópia do disco dos Beatles Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, de 1967, custa 60 pesos (R$ 42). “Tenho mais de 2 mil discos em casa. É só avisar que eu posso trazer.” Teresa também vende telefones feitos no início do século passado, como um Ericsson de 1900 (800 pesos, ou R$ 554). “Funciona!”

A dica para os nostálgicos é a barraca de Guillermo Spataro. Ele vende embalagens, latas e anúncios antigos, de 1890 a 1970. “Muitos dos meus clientes são colecionadores ou pessoas que trabalham com decoração, mas a maioria compra aqui porque quer lembrar da infância.” Os preços são bem variados: de 10 a 500 pesos (R$ 7 a R$ 347).

LOJAS

O comércio de antiguidades em San Telmo não se restringe à Plaza Dorrego. O sucesso da feira fez os melhores antiquários da cidade abrirem lojas por lá, a maioria na Calle Defensa. “Tem um antiquário melhor do que o outro”, afirma Renée Behar, dona de duas lojas do ramo em São Paulo. Renée deixou de trazer objetos da Argentina para as suas lojas há alguns anos, por dificuldades de importação, mas não abre mão de comprinhas para sua coleção pessoal.

Para quem quiser fazer o mesmo, o Calvaresi Antiquariato (00--54-11-4362-7405; www.calvaresiantiquariato.net) é uma parada imperdível. Com três andares, é um verdadeiro shopping de obras antigas. A loja conta com 1.300 peças, a maioria de 1800 a 1930. “Temos de tudo, de pianos a lustres”, afirma o dono, Carlos Calvaresi. Ele se orgulha de receber clientes ilustres do mundo inteiro, inclusive muitos políticos brasileiros. “Até o rei do Marrocos esteve aqui”, diz. Os preços começam em US$ 1.000 (R$ 2.133) e podem chegar a até US$ 150 mil (R$ 320 mil), caso de esculturas italianas do século 19.

Outro endereço interessante na Calle Defensa é a loja de Samuel Setian (0--54-11-4307- 9019), que coleciona artigos gaúchos de prata do Brasil, Argentina e Uruguai. “Minha especialidade são as coleções de cuias para chimarrão.”

Setian conta também com um acervo de 32 espadas japonesas do século 15, dos tipos katana (sabre longo usado por samurais) e wakizashi (espada curta). O que mais chama a atenção, porém, é uma enorme armadura alemã gótica. “Ela foi feita no século 19, mas é cópia de um modelo do século 15.” Os preços das peças ele prefere nem revelar. “Só sob consulta.”

Os que desejam incrementar a decoração de casa devem visitar os antiquários Silvia Petroccia (0--54-11-4362-0156) e Pallorols (0--54-11-4362-5438). O primeiro tem o mobiliário como especialidade, principalmente cadeiras Luís XV e XVI, por a partir de US$ 2.300 (R$ 4.900). Já o segundo impressiona por estátuas de mármore, porcelanas e lustres de cristal. Entre os destaques, jogos de porcelana Limoges (de US$ 1.000 a US$ 3.000, ou R$ 2.134 a R$ 6.400) e um relógio francês banhado a ouro (US$ 1.000).



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